domingo, 23 de setembro de 2012

Quantidade X Qualidade

Estive distante das publicações deste blog por meses.
Confesso que não faltaram tentativas, se alguém pudesse investigar meus rascunhos de postagens não publicadas, naturalmente comprovaria que eu procurei acrescentar informações, mensagens, pensamentos, ensinos, mas parece que de uns tempos pra cá perdi parte da minha natural inspiração.

Hoje não, acordei diferente, pela manhã enquanto fazia a leitura matinal da Bíblia, me senti inspirado, afinal de contas, quem nos inspira é o Espírito Santo, e Ele está conosco cumprindo a promessa da continuidade da companhia de Jesus até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

Pensei sobre uma das frases mais comuns ouvida em nossos púlpitos:

"Deus quer qualidade, não quantidade".

Eu discordo!

No meu discretíssimo ponto de vista o que o Senhor espera de nós definitivamente é quantidade, sim, Deus não quer que trabalhemos para obter um pequeno rebanho formado por pessoas qualificadas, creio que o Senhor espera que lutemos incansavelmente para garantir um grande rebanho, repleto de pessoas ansiosas por serem qualificadas por Ele, ou seja, fiéis a Ele.
 
Sempre achei que esta frase: Deus quer qualidade e não quantidade, é uma forma medíocre de justificar qualquer insucesso evangelístico ou eclesiástico. Geralmente o pastor que não consegue deter seu rebanho por falta de qualificação administrativa ou espiritual se vale deste argumento, para justificar os poucos heróis que se mantiveram ao seu lado enquanto os demais partiram, ou para o mundo, ou para outra denominação qualquer. Igrejas estão esvaziando, enquanto líderes sem vocação entendem que é isto que Deus quer, qualidade, não quantidade. Bem capaz. 

Duas parábolas distintas de Jesus contrariam este errôneo ponto de vista. Vejamos a primeira:

A parábola da grande ceia (Lc 14.15-24), a história é bem simples, um homem muito rico organiza um grande jantar e convida a muitos (v. 16), observamos aí o primeiro principio da quantidade, o desejo de ver muita gente reunida na sua residência.
Para não correr o risco de não ter cheio seu salão de festas, o anfitrião mandou o seu servo "reforçar" o convite (v. 17), então, um à um, os convivas começaram a se escusar, apresentando desculpas para não comparecerem ao grande evento. Os cidadãos distintos que foram previamente convidados simplesmente demonstraram ingratidão, insultando aquele que os tinha convidado com tanto carinho.

É possível observar que na tentativa inicial de realizar um evento impactante, o anfintrião busca aliar qualidade à quantidade, sem sucesso.
Cada um dos convidados demonstrou deter alto poder aquisitivo, um comprou um campo, outro cinco juntas de bois e o terceiro estava envolvido com as demandas de estar recém casado. Nenhum deles se encorajou a abdicar das suas questões pessoais no intuito de agradar o anfritião fazendo-se presente no grande banquete, disseram-lhe não, sem qualquer remorço.

Então o inusitado acontece, o chefe de família depois de ouvir a recusa dos primeiros convidados, tomado de justificada indignação, dá ao servo uma nova ordem, a qual despreza a excelência dos convidados. Agora só o elemento quantitativo interessava, e ele ordena que o servo saia apressadamente pelas ruas e bairros da cidade, trazendo pobres, aleijados, mancos e cegos para participar da mesma festa que os primeiros convidados rejeitaram (v. 21).

O servo vai, convida, retorna e afirma, "feito está como mandaste, e ainda há lugar" (v. 22b).
Então o Senhor assevera: "Sai pelos becos e atalhos (ou valados) e força-os a entrar, para que minha casa se encha" (v. 23b).

A palavra FORÇAR explicita aqui vem do grego anagkazo, que pode ser traduzida por: compelir por todos os meios, com uso da força, com ameaças, persuasão, súplicas.
A coação era necessária para que a casa se enchesse de convidados, este é outro princípio da quantidade.

A segunda parábola trata da quantidade em detrimento da qualidade (Mt 13.24-30), a história é forte.

Um agricultor, pai de família, saiu pelo seu campo com a boa semente. Ao dormir veio o inimigo e semeou o joio no meio do trigo. Ambos estavam invisiveis até que o trigo cresceu e frutificou aparecendo também o joio (v. 26).

Os servos se prontificaram em arrancar o joio (principio da qualidade, v. 28b), para garantir que somente o trigo permanecesse naquele campo (isto acontece sempre nas nossas igrejas), o pai foi definitivo: "Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele." (v. 29b).

Perdoe-me a ironia, líderes estão por toda a parte com uma foice na mão tentando, baseados tão somente na sua intolerância ministerial, arrancar o joio. Muitos deles não tem nem mesmo a visão espiritual para discernir, se estão lidando com joio ou trigo.

Conheço trigos abençoados hoje, que na sua juventude não passavam de um belo punhado de joio, que só não foram cortados por contar com a proteção de algum "agricultor poderoso", pai, pastor, lider, etc. Tiveram a oportunidade e tiraram proveito dela, graças a Deus. Mostraram que eram trigo e não joio.

A biblia nos dá um exemplo de um momento de intolerância ministerial que poderia ter custado a chamada de um jovem obreiro.

Paulo e Barnabé separaram-se tão somente porque na opinião do apóstolo Paulo, João Marcos (joio) não estava apto a exercer sua chamada missionária na nova viagem.
Barnabé preteriu a companhia do apóstolo e permaneceu assistido pelo jovem João que queria muito continuar (At 15.36-40), tal investimento gerou um novo e audacioso missionário, o rejeitado Marcos, que mais tarde foi convocado por Paulo para fortalecer as fileiras (agora o rapaz tornarasse trigo), sendo classificado como "muito util" (II Tm 4.11).

Devemos cuidar como utilizamos a foice que está em nossas mãos. Mesmo com aqueles que são legitimamente joio. O Senhor nos alerta ao risco de ao cortarmos esta erva daninha matarmos também o cerel. Cuidado!

A mensagem de Cristo sempre esteve focada na quantidade, porque para o nazareno quem está habilitado a garantir qualidade aos fiéis é o Espírito Consolador (Jo 16.7,8). O homem por sua própria força não tem condições de mostrar qualidades, senão aquelas concedidas pelo Senhor.
 
Um dos textos áureos da Bíblia diz: "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. (Mt 11.28,29), grifo do autor.
 
O interessante neste texto biblico é que a primeira verdade grifada trata da quantidade, "todos vós", ou seja, todos vocês, cansados e primidos; já a duas últimas verdades grifadas tratam da qualidade, "e eu vos aliviarei" e "encontrareis descanso para as vossa almas". Até que cheguemos a Cristo Ele só se preocupa com o fator quantitativo, porque qualidade só depois que nos chegamos a ele. Alivio e descanso para alma só depois que chegamos a Jesus Cristo. Uma pessoa aliviada e descansada para mim é uma pessoa que tem qualidade de vida.`
 
O texto de Mateus 22.14 afirma o que segue: Muitos são chamados, mas poucos escolhidos.
Objetivando, os chamados tratam da quantidade, enquanto os escolhidos tratam da qualidade.
 
O que o Senhor espera de nós? Respondo, Ele quer que falemos do seu amor à todas as nações, povos, tribos e raças (a procura de quantidade), enquanto Ele próprio aperfeiçoará as almas resgatadas, dando a cada um dons, capacidade e finalmente, qualidade.

Não quero parecer presunçoso, mas para garantir a felicidade dos súditos no Reino de Deus, bom seria que conseguissemos agregar um grande contigente de pessoas na casa do Senhor, com um índice de qualidade acima da média, como já expressava o conhecido provérbio: "onde há qualidade, há quantidade".

Qualidade no apascentamento (I Pe 5.2,3), qualidade na administração do culto (I Co 14.26), qualidade na ministração do louvor (Sl 33.3), qualidade na adoração (Jo 4.23), qualidade na pregação da Palavra (II Tm 2.15), qualidade no serviço cristão (I Tm 3.1-7; Tg 1.27).

Que o Senhor tenha misericórdia de nós! Carinhoso abraço.










8 comentários:

Unknown disse...

REALMENTE, VEJO SEU COMENTÁRIO APOS ALGUNS ANOS E POUCO MUDOU, MAIS DESCUBRO QUE SEMPRE HAVERÁ PESSOAS IMPULSIONADAS PELO ESPÍRITO SANTO, PARABÉNS PELAS PALAVRAS INSPIRADAS POR DEUS!!!! TAMBÉM CONCORDO COM SUA OPINIÃO E ASSIM, TENHO MINISTRADO NA E.B.D COM TEMA FIM AOS BORDÕES!

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Não concordo com isso, pois a qualidade não está em qualificações adquiridas mas sim em qualidade de posição, em você se posicionar na obra de Deus, onde vc faz por prazer e não pra aparecer, do que adianta ter um templo lotado se a maioria não está ali para se posicionar pra Deus mas para os homens, de nada adianta, melhor meia dúzia num mesmo propósito do q meio milhão cultuando só pela aparência, pois não estão ali de coração sincero mas sim para mostrar que estão ali, pois vivem mascarados, existem muitos assim, dentro do templo é uma coisa e fora totalmente outra, nada disso adianta, por isso o mais importante é sim a qualidade, a qualidade do nosso amor, a qualidade do nosso propósito, a qualidade da nossa determinação, a qualidade da nossa fé.

Josivaldo Silva disse...

No fim meu querido o que mais importa é QUALIDADE, "Muitos são Chamados e poucos ESCOLHIDOS"...então não adianta quantidade e sim Qualidade...o céu não é para todos e sim para os melhores! Pense nisso!

Unknown disse...

Nossa, muito forte, muito bem esclarecido, muito lindo... quão Bom, é vermos que ainda temos jovens que defende com amor e convicção o amor em Cristo. Sim amada, a quantidade não é nada diante de um Deus tão grande e verdadeiro. Eu acho muito precipitado e sem pensar espiritualmente, afirmar que Deus busca quantidade. É não permitir o espiries santo agir em nossa vida. Nos guiar na palavra. Não adianta ser um bom escritor, se o indoindiv, o poeta não tem a luz de Deus.
A paz do senhor, e que estás palavras,chegue em sua vida em um bom momento, que esteja tudo bem, tudo em paz. Amém.

Unknown disse...

Oh Glória!

erasmo disse...

misericordia usou duas passagens biblicas para tentar justificar seu erro! Jesus nunca se preocupou com quantidade e sim com qualidade. muitas referencias sobre isso!
Péssimo estudo esse seu.

Anônimo disse...

Muito bom artigo, também entendo dessa forma, eu acrescento com as seguintes perguntas:
Deus faz acepção de pessoas?
A frase: "venha como estás"
Portanto, a qualidade é fato posterior, Deus não escolhe os capacitados, mas, capacita os escolhidos.
Mormente, a frase dita por pastores e lideres, de que Deus escolhe os qualificados, só ocorre quando as igrejas estão vazias, principalmente nestes tempos de pandemia, dando a nítida impressão de que os ausentes, ainda que justificados, não são qualificados, e assim, excluindo-os. Porém só Deus conhece o coração do homem. Só Deus é amor. E nada e nem ninguém pode separar o Cristão do Amor de Deus, só o próprio cristão pode se afastar. E de mais a mais, como bem explicitado no artigo, muitos se afastam da igreja "A", e passam a congregar na igreja "B", e não perderem a sua comunhão com o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Portanto, a homem nenhum é dado o poder de saber quem tem ou não qualidade exigida por Deus.